domingo, 15 de abril de 2012

arritmia


Havia por um segundo parado tudo o que fazia, toda aquela nuvem da tropicália que devido aos estudos, ocupava-lhe totalmente a mente.
Como em um tiro no peito, sentiu então seu coração bombear mais do que achava possível. Sentiu-o quente, quente como a lava de mil vulcões em erupção. Pensara se a sensação de um infarto - necrose de uma parte do músculo cardíaco - era algo próximo do que sentia. O fato é que estava doente, e muito. Para sua doença não havia remédios, não havia alguma droga que amenizasse o que sentia, não havia porre que a fizesse atenuar tamanha força de suas batidas. “As câmaras cardíacas contraem-se e dilatam-se alternadamente 70 vezes por minuto, em média". As minhas, 70 vezes por segundo. Sua doença não foi causada pelos seus hábitos alimentares, por seus quase vinte cigarros diários, por todo álcool que já havia ingerido ou sequer por sua sedentariedade. Não, seu problema viera de algo muito maior, muito maior. O que havia deixado-a tão adoecida fora somente o oceano. Aquele belo par de oceanos, limpos e profundos. Foi necessário, assim como Alice, que apenas tropeçasse e sem que pudesse notar, caíra num buraco infindo, o buraco infindo de seus olhos. Já estava conformada. Sua doença era terminal, mas já não ligava. Se seus olhos eram um profundo oceano, não via outra maneira senão afogar-se.








E afogou-se.